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Free Software Free Society

Together we have the opportunity to empower the world through the use of free software. The only way to counter proprietary software companies and the billions of dollars they use to strip user rights is through the power of your voice and your generosity.

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Esta é uma tradução da página original em Inglês.

Software Livre é Ainda Mais Importante Agora

Uma versão substancialmente editada deste artigo foi publicada em Wired.


Desde 1983, o Movimento do Software Livre defende a liberdade dos usuários de computador — para que os usuários possam controlar o software que usam, e não o contrário. Quando um programa respeita a liberdade e comunidade dos usuários, o chamamos de “software livre” (do inglês, “free software”).

Às vezes nós também o chamamos de “software libre” (do inglês, “libre software”) para enfatizar que estamos falando de liberdade, não de preço1. Alguns programas proprietários (não livres), tais como o Photoshop, são muito caros; outros, como o Flash Player, estão disponíveis gratuitamente — mas isso é um pequeno detalhe. De qualquer maneira, eles dão ao desenvolvedor do programa poder sobre os usuários, poder que ninguém deveria ter.

Esses dois programas não livres têm algo mais em comum: ambos são malwares. Ou seja, ambos têm funcionalidades concebidas para maltratar o usuário. O software proprietário hoje em dia é muitas vezes malware porque o poder dos desenvolvedores os corrompem. Este diretório lista cerca de 400 funcionalidades maliciosas diferentes (até abril de 2019), mas com certeza é apenas a ponta do iceberg.

Com o software livre, os usuários controlam o programa, tanto individual como coletivamente. Então, eles controlam o que seus computadores fazem (supondo que esses computadores são leais e fazem o que os programas dos usuários dizem-lhes para fazer).

Com o software proprietário, o programa controla os usuários e alguma outra entidade (o desenvolvedor ou “proprietário”) controla o programa. Assim, o programa proprietário dá ao seu desenvolvedor poder sobre seus usuários. Isso é injusto por si só; além disso, isso instiga o desenvolvedor a maltratar os usuários de outras maneiras.

Mesmo quando software proprietário não é diretamente malicioso, seus desenvolvedores possuem um incentivo para torná-lo viciante, controlador e manipulativo. Você pode dizer, assim como o autor daquele artigo, que os desenvolvedores possuem uma obrigação ética de não fazer isso, mas geralmente eles seguem seus interesses. Se você deseja que isso não aconteça, certifique-se de que o programa é controlado por seus usuários.

Liberdade significa ter controle sobre a sua própria vida. Se você usa um programa para realizar atividades em sua vida, sua liberdade depende do controle que você tem sobre o programa. Você merece ter o controle sobre os programas que você usa, e ainda mais quando você os usa para algo importante na sua vida.

O controle dos usuários sobre o programa requer quatro liberdades essenciais.

(0) A liberdade de executar o programa como quiser, para qualquer finalidade.

(1) A liberdade de estudar o “código fonte” do programa e alterá-lo, de modo que o programa faça sua informática como você deseja. Os programas são escritos por programadores em uma linguagem de programação — como o inglês combinado com álgebra — e essa forma do programa é o “código fonte”. Qualquer pessoa que conheça programação, e tem o programa em forma de código fonte, pode ler o código-fonte, compreender o seu funcionamento, e também alterá-lo. Quando tudo que você recebe é a forma executável, uma série de números que são eficientes para o computador executar, mas extremamente difíceis para um ser humano compreender, entender e mudar o programa é proibitivamente difícil.

(2) A liberdade para fazer e distribuir cópias exatas quando quiser. (Não é uma obrigação; fazer isso é a sua escolha. Se o programa é livre, isso não significa que alguém tem a obrigação de oferecer-lhe uma cópia, ou que você tem a obrigação de oferecê-lo uma cópia. Distribuir um programa sem liberdade para os usuários é maltratá-los; no entanto, a escolha de não distribuir o programa — usá-lo em privado — não maltrata ninguém).

(3) A liberdade para fazer e distribuir cópias de suas versões modificadas, quando quiser.

As duas primeiras liberdades significam que cada usuário pode exercer controle individual sobre o programa. Com as outras duas liberdades, qualquer grupo de usuários pode exercer em conjunto controle coletivo sobre o programa. Com todas as quatro liberdades, os usuários controlam totalmente o programa. Se alguma delas estiver ausente ou for insuficiente, o programa é proprietário (não livre), e injusto.

Outros tipos de obras também são usadas ​​para atividades práticas, incluindo receitas de cozinha, obras educativas como livros, obras de referência como dicionários e enciclopédias, fontes para a exibição de parágrafos de texto, diagramas de circuitos de hardware para as pessoas construírem e padrões para fazer objetos úteis (não meramente decorativos) com uma impressora 3D. Uma vez que estes não são software, o movimento do software livre a rigor não os cobre; mas o mesmo raciocínio se aplica e leva à mesma conclusão: estas obras devem carregar as quatro liberdades.

Um programa livre permite que você o modifique para que ele faça o que você quer (ou deixe de fazer algo que você não gosta). Modificar software pode parecer ridículo, se você está acostumado com o software proprietário — que é uma caixa selada, mas no Mundo Livre é uma coisa comum de se fazer, e uma boa maneira de aprender programação. Até mesmo o passatempo americano tradicional de modificar carros é obstruído porque agora os carros contêm software não livre.

A Injustiça da Proprietariedade

Se os usuários não controlam o programa, o programa controla os usuários. Com o software proprietário, há sempre alguma entidade, o desenvolvedor ou “proprietário” do programa, que controla o programa — e através dele, exerce poder sobre seus usuários. Um programa não livre é um jugo, um instrumento de poder injusto.

Em casos revoltantes (embora este ultraje tornou-se bastante usual) programas proprietários são projetados para espionar os usuários, restringi-los, censurá-los, e abusá-los. Por exemplo, o sistema operacional das iCoisas da Apple faz tudo isso, e assim o faz o Windows em dispositivos móveis com chips ARM. Windows, o firmware de telefones móveis, e o Google Chrome para Windows incluem uma porta-dos-fundos universal que permite que alguma empresa altere o programa remotamente sem pedir permissão. O Kindle da Amazon tem uma porta-dos-fundos que pode apagar livros.

O uso de software não livre na “internet das coisas” irá transformá-la na “internet do telemarketing” e na “internet dos bisbilhoteiros”.

Com o objetivo de acabar com a injustiça do software não livre, o movimento do software livre desenvolve programas livres para que os usuários possam se libertar. Começamos em 1984 a desenvolver o sistema operacional livre GNU. Hoje, milhões de computadores executam GNU, principalmente na combinação GNU/Linux.

Distribuir um programa sem liberdade para os usuários maltrata aqueles usuários; no entanto, a escolha de não distribuir um programa não maltrata ninguém. Se você escrever um programa e usá-lo em privado, isso não fará mal aos outros. (Você perde a oportunidade de fazer bem, mas isso não é o mesmo que fazer mal.) Assim, quando dizemos que todo o software deve ser livre, queremos dizer que cada cópia deve vir com as quatro liberdades, mas isso não significa que alguém tem a obrigação de oferecer-lhe uma cópia.

Software Não livre e SaaSS

Software não livre foi a primeira forma de as empresas assumirem o controle da computação das pessoas. Hoje em dia, há outra maneira, chamada Serviço como um Substituto do Software, ou SaaSS (Service as a Software Substitute). Isso significa deixar o servidor de um terceiro fazer as tarefas de informática do usuário.

SaaSS não significa que os programas no servidor são não livres (embora muitas vezes o são). Mas usar SaaSS causa as mesmas injustiças que usar um programa não livre: esses são dois caminhos para o mesmo lugar danoso. Tomemos o exemplo de um serviço de tradução SaaSS: o usuário envia o texto para o servidor, e o servidor o converte (de inglês para português, por exemplo) e envia a tradução de volta para o usuário. Agora, o trabalho de tradução está sob o controle do operador do servidor, em vez do usuário.

Se você usa SaaSS, o operador do servidor controla sua computação. Isso exige confiar todos os dados pertinentes ao operador do servidor, que será forçado a mostrá-lo ao estado também — A quem aquele servidor realmente serve, afinal?

Injustiças Primária e Secundária

Quando você usa programas proprietários ou SaaSS, antes de tudo você erra consigo mesmo, porque isso dá a alguma entidade poder injusto sobre você. Para seu próprio bem, você deve escapar. Isso também fará mal aos outros, se você fizer uma promessa de que não irá compartilhar. É mal manter essa promessa, e um mal menor quebrá-la; para ser verdadeiramente correto, você não deve fazê-la.

Há casos em que o uso de software não livre coloca pressão diretamente sobre os outros a fazerem o mesmo. Skype é um exemplo claro: quando uma pessoa usa o software cliente não livre do Skype, ela requer que outra pessoa também use esse software — assim, ambos renunciam a sua liberdade. (Google Hangouts têm o mesmo problema). É errado mesmo sugerir o uso de tais programas. Devemos nos recusar a usá-los, mesmo que brevemente, mesmo no computador de outra pessoa.

Outro dano proveniente do uso de programas não livres e SaaSS é que ele premia o autor, incentivando um maior desenvolvimento do programa ou “serviço”, que por sua vez leva ainda mais pessoas a caírem nas mãos da empresa.

Todas as formas de dano indireto são ampliados quando o usuário é uma entidade pública ou uma escola.

Software Livre e o Estado

Órgãos públicos existem para o povo, não para si mesmos. Quando fazem informática, eles a fazem para as pessoas. Eles têm o dever de manter o controle total sobre essa informática para que possam garantir que essa seja feita corretamente para o povo. (Esta constitui a soberania de informática do Estado). Eles nunca devem permitir que o controle sobre a informática do Estado caia em mãos privadas.

Para manter o controle da informática das pessoas, órgãos públicos não devem fazê-la com software proprietário (software sob o controle de uma entidade que não o Estado). E eles não devem confiá-la a um serviço programado e executado por uma entidade que não o Estado, uma vez que isto seria SaaSS.

O software proprietário não tem segurança nenhuma em um caso crucial — contra seu desenvolvedor. E o desenvolvedor pode ajudar outros a atacarem. Microsoft mostra erros do Windows para a NSA (A agência de espionagem digital do governo dos EUA) antes de corrigi-los. Nós não sabemos se a Apple faz o mesmo, mas está sob a mesma pressão do governo que a Microsoft. Se o governo de qualquer outro país usa esse software, isso põe em perigo a segurança nacional. Você quer que a NSA invada os computadores do seu governo? Veja nossas políticas de governo sugeridas para promover o software livre.

Software Livre e Educação

Escolas (e isso inclui todas as atividades educacionais) influenciam o futuro da sociedade através do que elas ensinam. Elas devem ensinar exclusivamente software livre, de modo a utilizar a sua influência para o bem. Ensinar um programa proprietário é implantar dependência, o que vai contra a missão da educação. Através do treinamento no uso de software livre, escolas irão direcionar o futuro da sociedade para a liberdade, e ajudar os programadores talentosos a dominar este ofício.

Elas também irão ensinar aos alunos o hábito de cooperar, ajudando outras pessoas. Cada classe deve ter esta regra: “Estudantes, essa classe é um lugar onde nós compartilhamos nosso conhecimento. Se você trouxer software para a sala de aula, você não deve mantê-lo pra si mesmo. Em vez disso, você deve compartilhar cópias com o resto da classe — incluindo o código fonte do programa, no caso que alguém queira aprender. Portanto, trazer software proprietário para a sala de aula não é permitido, exceto para praticar engenharia reversa nele”.

Desenvolvedores proprietários gostariam que nós puníssemos os estudantes bons o suficiente de coração para compartilhar software e frustrássemos aqueles curiosos o suficiente para querer mudá-lo. Isto significa uma educação ruim. Consulte http://www.gnu.org/education/ para mais discussões sobre o uso de software livre nas escolas.

Software Livre: Mais do que “Vantagens”

Muitas vezes me pedem para descrever as “vantagens” do software livre. Mas a palavra “vantagens” é muito fraca quando se trata de liberdade. A vida sem liberdade é opressão, e isso se aplica à informática, bem como a todas as outras áreas das nossas vidas. Devemos recusar-nos a dar aos desenvolvedores de programas ou serviços de computação controle sobre a informática que fazemos. Esta é a coisa certa a se fazer, por razões egoístas; mas não apenas por razões egoístas.

Liberdade inclui a liberdade de cooperar com os outros. Negar às pessoas essa liberdade significa mantê-las divididas, o que é o início de um esquema para oprimi-las. Na comunidade de software livre, estamos muito conscientes da importância da liberdade de cooperar, porque nosso trabalho consiste de cooperação organizada. Se o seu amigo vem lhe visitar e vê você usando um programa, ele pode pedir uma cópia. Um programa que te impede de redistribuí-lo, ou diz que você “não deveria fazê-lo”, é anti-social.

Na informática, a cooperação inclui redistribuir cópias exatas de um programa a outros usuários. Ela também inclui a distribuição de suas versões alteradas a eles. Software livre incentiva estas formas de cooperação, enquanto o software proprietário as proíbe. Ele proíbe a redistribuição de cópias, e por negar aos usuários o código-fonte, ele os impede de fazer alterações. SaaSS tem os mesmos efeitos: se a sua informática é feita através da web no servidor de outra pessoa, pela cópia de um programa de outra pessoa, você não pode ver ou tocar o software que faz sua informática, então você não pode redistribuí-lo ou mudá-lo.

Conclusão

Nós merecemos ter o controle da nossa própria informática; como podemos ganhar esse controle? Ao rejeitar software não livre nos computadores que possuímos ou utilizamos regularmente, e rejeitando SaaSS. Desenvolvendo software livre (para aqueles de nós que são programadores). Recusando-se a desenvolver ou promover software não livre ou SaaSS. Espalhando estas ideias aos outros.

Nós e milhares de usuários têm feito isso desde 1984, que é como nós temos agora o sistema operacional livre GNU/Linux que qualquer um — programador ou não — pode usar. Junte-se a nossa causa, como um programador ou um ativista. Vamos fazer todos os usuários de computador livres.

Notas do tradutor

  1. Em inglês o termo “free software” pode significar tanto “software livre” quanto “software gratuito”, então o termo “libre software” é usado para se referir inequivocamente ao sentido de liberdade.
TOPO

[Logo da FSF]“A Free Software Foundation (FSF) é uma organização sem fins lucrativos com a missão global de promover a liberdade de usuários de computador. Nós defendemos os direitos dos usuários de software.”

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